O Escolhido – Hannah Howell

livro-o-escolhido-Hannah-Howell-serie-wherlock-mademoisellelovesbookspor Mariana Guarilha

“O Escolhido” é o quarto livro da série Wherlocke e o primeiro a ter um protagonista homem. O herói romântico da história tem um dos dons mais difíceis de conciliar com a vida comum:  Argus Wherlocke é sempre capaz de saber quando alguém está mentindo e pode controlar a mente de outras pessoas. Por ter assistido o fracasso do casamento de seus pais está decidido a nunca se apaixonar, mas quando circunstâncias incomuns o colocam frente a Lorelei Sundun há pouco o que fazer para evitar a paixão.

Lorelei é uma nobre pouco comum: com uma grande família e um pai que está sempre imerso em seus interesses peculiares, sempre teve mais liberdade do que as outras jovens de boa família. Quando uma projeção de Argus Wherlocke aparece em seu jardim pedindo para que contactasse sua família, ela pode correr em seu socorro. Argus foi sequestrado e mantido em cativeiro por homens misteriosos que acreditavam que poderiam roubar o seu dom, e a inversão fazendo com que ele precise ser salvo por Lorelei já é o primeiro motivo para que eu tenha um carinho especial pelo livro.

O livro tem algumas vantagens em relação aos que o precederam: a abundância de personagens que já conhecíamos das outras histórias e por quem já nutríamos certo carinho garante já um lugar especial em nosso coração. Além disso, os personagens secundários apresentados são excelentes: destaque para Roland Sundun. o Duque de Sundunmoor. O pai da protagonista é um acadêmico interessado no sobrenatural, assim não houve estranhamento real quando os estranhos Wherlocke se hospedaram em sua casa. Além disso, ele tem uma visão muito rara sobre como tratar a sua filha, não negando a ela a possibilidade de viver sua paixão escandalosa.

Como sempre, a trama de espionagem acaba apresentando umas pontas soltas já que a autora se detém mais no romance do que nas tensões apresentadas como pano de fundo. Apesar disso, as páginas correm sem dificuldade em uma leitura que entretém com seus personagens apaixonantes.

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The Perfect Bride (Samantha James)

A noiva perfeitapor Mariana Guarilha

O primeiro livro da série Sterling trás a história de Devon Saint James,a filha bastarda de uma preceptora, que após a morte da mãe tem que usar toda a sua esperteza para sobreviver no bairro mais perigoso de Londres. Quando voltava do trabalho, Devon foi abordada por uma conhecida dupla de ladrões que não só desejavam levar todos os seus rendimentos, como também roubar-lhe a virgindade. Corajosa, Devon resiste ao assalto, mas acaba abandonada para morrer em uma rua suja e escura.

Sebastian Sterling, o célebre  Marquês de Thurston, não era um frequentador daquela parte da cidade, mas encontra a jovem moribunda quando vai resgatar seu irmão rebelde de uma mesa de jogo. Apesar de não parecer muito seguro que tomou a decisão certa ao levar a jovem desconhecida para casa, ele oferece abrigo até que ela esteja curada.

Sebastian é o típico nobre orgulhoso retratado muitas vezes em livros do gênero, e ele parece querer enquadrar a heroína o tempo todo, porém apesar desse comportamento turrão, ele está sempre cuidando de suas necessidades. Confesso que estou um tanto enjoada desse tipo de herói tão repetidamente endeusado em romances de época, e fico me perguntando se seria muito esperar que o protagonista mostrasse claramente a sua admiração e respeito pela moça que pretende desposar.

Devon é uma menina doce que demonstra o desejo de ser preceptora como foi a sua mãe, e apesar de aceitar a ajuda do Marquês que pretende alfabetizá-la e educá-la, tem poucas esperanças de sair dos becos da cidade. Mesmo com toda a atração que sente por Sebastian,Devon  se comporta de maneira passiva demais, e esse é mais um clichê que me desagrada.  Apesar dessas ressalvas, espero ler o restante da série já que a escrita de Samantha James flui na leitura sem grandes percalços.

Dez Coisas que Amo em Você (Ten Things I Love about You) Júlia Quinn

Dez Coisas Que Amo Sobre Você - Julia Quinnpor Mariana Guarilha 

No livro anterior eu já havia me apaixonado pelo distinto primo de Harry Valentine, Sebastian Grey. Sebastian é o herdeiro presumido do Conde de Newbury, porém entre ele e o condado está o desgosto do Conde que está disposto a se casar novamente só para que o sobrinho não seja seu herdeiro. 

Apesar de ter sessenta anos e estar levemente fora de forma, Newbury ainda é considerado um bom partido por ser Conde, e colocou seus olhos em Annabel Winston,  a mais velha de oito filhos que tem sobre si a responsabilidade de salvar sua família da ruína. A ideia de desposar um senhor de idade avançada não é nada atraente para Anabelle , porém ela tem uma natureza prática e está disposta a fazer o que precisa ser feito.

Com o iminente casamento de seu tio com uma garota de quadris largos o futuro de Sebastian não parece promissor, porém com 29 anos e uma ótima aparência, muitas mocinhas suspiram por ele pelos cantos. Todos se perguntam  como Grey se sustenta, já que não parece trabalhar. Porém , ele mantém uma personalidade e uma ocupação secretas.

Annabel Winston não é de forma alguma o par óbvio para o sonhador Sebastian, porém é impossível não torcer por eles, ainda mais diante do futuro pavoroso que a espera no casamento com o nojento Newbury.  Confesso , porém, que muito mais que o romance apresentado foi a revelação do mistério da segunda personalidade de Sebastian a parte que mais me encantou no livro.

Se você ainda não leu o livro e quer se surpreender com este mistério peço que não leia o restante da resenha. 

Em alguns livros anteriores eu já tinha sido apresentada a  Sarah Gorely,  a autora de romances góticos exageradas preferida de Lady Danbury.  No volume anterior da trilogia Belvestoke Aconteceu em Londres, fomos surpreendidos com uma ótima cena em que Grey faz uma leitura de um dos livros na casa de Olivia. Eu deveria ter percebido que a paixão de Sebastian pela obra era o genuíno orgulho do autor. Confesso que imaginei uma história paralela onde Sarah Gorely seria o par perfeito de Lady Whistledon, desparelhando dois dos casais mais amados de Júlia Quinn.

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Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

por Mariana Guarilha 

tim_mais_vale_tudoO segredo para uma boa biografia é um retratado tão interessante que nos faça esquecer que não se trata de pura ficção. Tim Maia é uma dessas pessoas, com sua personalidade tão marcante que parecia possível ouvir sua voz durante a leitura. Somando-se o fato de Nelson Motta ter sido amigo pessoal de Tim  e ter capturado tão bem o seu jeito, documentando seus aforismos e desnudado sua malandragem.

Além do protagonista Tim Maia, o livro ainda cita outras personalidades famosas como: Roberto Carlos, Erasmo, Jorge Ben, Rita Lee em hilariantes histórias que compartilharam com Tim.

Começando pela infância pobre de Tim em uma família numerosa, passando pelos anos de ressentimento quando Tim não se conformava em ver os amigos menos talentosos alçando voo enquanto ele ainda amargava a pobreza até seu estrelato e seu comportamento controverso na fama, Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia não esconde as fraquezas de seu biografado, porém faz com que os defeitos de Tim sejam tão fascinantes quanto seu talento.

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Além da música, Tim sempre foi famoso pelo comportamento instável. Muitas vezes falta a shows depois de fazer o que ele chamava de triathlon: uma mistura de altas doses de álcool , maconha e cocaína. Apesar desse aparente descuido com sua carreira, Tim era um artista com visão, em uma época onde isso não era comum tinha total controle da sua carreira, através da editora de músicas Seroma que possibilitou entre outras coisas que ele gravasse de forma independente.

Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia  é leitura obrigatória a quem se interessa por música, e sua leitura acompanhada da discografia de Tim um deleite mesmo ao mais exigente consumidor de biografias.

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Procura-se um Mr. Thornton!

757814_Ampliadapor Ethel Duveen

A jovem Margaret Hale vive na pacata e bucólica cidade de Helstone, no Sul da Inglaterra. Seu pai é um clérigo e intelectual que ao se ver duvidando das doutrinas da igreja, resolve abandonar o sacerdócio e mudar-se com a família para a cidade industrial de Milton, no Norte.
Mr. John “Maravilhoso” Thornton é um poderoso industrial de Milton que dirige com mão de ferro sua fábrica de tecidos de algodão. Thornton mora com sua irmã, Fanny, e com sua mãe, uma viúva altiva e solitária. O orgulho que a Sra. Thornton sente do filho faz com que sua relação com ele seja quase incestuosa, para a Sra. Thornton nenhuma mulher é digna de seu precioso John.

Quando os Hale chegam a Milton, Mr. Thornton torna-se o mais ilustre pupilo do Sr. Hale. Margaret, por sua vez, fica chocada com as condições insalubres dos empregados nas fábricas do Norte e acaba fazendo amizade com o líder sindical Nicholas Higgins. O sindicato está em plena guerra contra os patrões em Milton e Thornton vê a estreita relação de Margaret com o proletariado como uma afronta pessoal a ele.
John Thornton sente uma irresistível atração por Margaret mas, devido a sua origem humilde, não se considera digno dela, que para ele é um modelo de virtude, elegância e beleza. Margaret custa a admitir que sente alguma coisa por Thornton, e quando ele se declara ela o rejeita, criando uma barreira quase intransponível entre os dois.

“ – Apenas mais uma palavra. A senhorita me olha como se pensasse que meu amor pode contaminá-la. Você não pode evitar isso. E, ainda que pudesse, não tenho como limpá-la dessa contaminação. E não faria isso, ainda que pudesse. Jamais amei qualquer mulher antes. Minha vida sempre foi muito ocupada, meus pensamentos sempre absorvidos em outras coisas. Amo e continuarei amando. Mas não tenha medo de muitas demonstrações da minha parte.”

Sabendo que não tem nenhuma chance com Margaret, Thornton passa a tratá-la com extrema frieza, mas, em segredo, continua protegendo e ajudando os Hale de todas as maneiras que consegue.
Ao longo da narrativa diversas situações levam Margaret e Thornton a travar um embate de vontades, onde o orgulho dele e a altivez dela se sobrepõem até o último momento à inegável paixão que sentem um pelo outro.
Através das perspectivas opostas desses fascinantes personagens “Norte e Sul” retrata a realidade do início da Revolução Industrial na Inglaterra do século 19, onde os operários eram considerados parte da engrenagem mecanicista das fábricas; nada além de um meio para ajudar os patrões a acumular capital.
O leitor moderno pode sentir falta do ritmo acelerado da literatura contemporânea, mas os fascinantes personagens e a temática atemporal do conflito de classes tornam esse romance um saboroso e imperdível passeio pela era vitoriana.

Em adaptação para a televisão de Norte e Sul, Mr. Thorton é vivido por Richard Armitage e Margareth Hale é interpretada por  ‎Daniela Denby-Ashe.

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Ligeiramente Seduzidos – Mary Balogh

CAPA-Ligeiramente-Seduzidos-Livros&Fuxicospor Mariana Guarilha 

Morgan Bedwyn, a mais nova entre os irmãos da família do duque de Bewcastle sempre foi prestigiada pela posição de seu irmão. Seu temperamento mais ameno do que os demais Bedwyns também ajudava com que fosse benquista onde quer que fosse. Ela jamais poderia esperar que um homem movido pela vingança quisesse lhe fazer mal. Mesmo se tratando de alguém tão infame quanto Gervase Ashford, o Conde de Rosthorn. 

Quando Napoleão é obrigado a recuar, parte da corte inglesa acompanha o exército na cidade de BruxelasAinda que a guerra não tenha de fato acabado, o otimismo  trazido pelos últimos sucessos torna os Ingleses confiantes a ponto de assumir um pequeno risco para proporcionais os oficiais uma vida social, muitas vezes acompanhando seus próprios familiares, outras somente buscando estar presente em um momento histórico. É esse cenário o maior mérito de Ligeiramente Seduzidos. A opulência da vida social frente aos horrores da guerra e as pequenas questões e intrigas da aristocracia frente aos conflitos reais , os contrastes são trabalhados de forma muito competente por Mary Balogh.

Embora que eu tenha me deliciado com o cerco em Bruxelas e as descrições das imediações da batalha de Waterloo, foi impossível não rejeitar o casal de protagonistas. Morgan com seus rompantes filosóficos fora de hora soa um tanto pueril e cansativa e Gervase é um homem de meia-idade se apegando a picuinhas feito um adolescente. Além disso, ainda que ele se faça útil em meio ao caos, é difícil esquecer o quanto ele foi traiçoeiro na primeira metade do livro. sem contar que Morgan é uma garota então muito jovem, e as atenções lascivas de um homem tão mais velho que passa muitas páginas afirmando que só quer arruiná-la me enojam um pouco, mesmo depois quando ele passa a demonstrar sentimentos por ela.

O sumiço de Alleyne e o mistério de seu paradeiro me interessaram muito mais do que qualquer desenvolvimento do romance.A origem do desgaste entre Rosthorn e Bewcastle não me intrigou o suficiente para me importar com sua resolução. Bewcastle, como sempre, roubou a cena mostrando-se vulnerável e acessível, o que me faz perguntar como os próprios irmãos ainda não enxergaram que toda aquela frieza é só uma máscara bem frágil.

Ligeiramente Seduzidos é o quarto livro da série Bedwyn, precedido por Ligeiramente Casados, Ligeiramente Maliciosos  e Ligeiramente Escandalosos.

A Dama da Meia Noite – Tessa Dare

tessa.jpgpor Mariana Guarilha 

O terceiro livro da série Spindle Cove vem nos mostrar o desfecho da história entre Cabo Thorne e a delicada orfã conhecida como Kate Taylor . Desde o primeiro volume da série há uma tensão entre os dois e o Cabo parece reconhecer a jovem logo na primeira vez que a vê. Kate tem uma mancha de vinho em forma de coração na testa, e por isso não vê o susto do cabo como um sinal de reconhecimento, mas apenas como repulsa diante de um rosto imperfeito.

Samuel Thorne parece disposto a evitar a companhia de Kate, porém diversas circunstâncias fazem com que se aproximem cada vez mais. Quando um grupo de estranhos nobres aparece reivindicando parentesco com Kate, ele é obrigado a apresentar-se  como seu noivo para protegê-la.

O compromisso surpreende os habitantes de Spindle Cove que não conseguem enxergar como a paixão poderia surgir entre a musicista delicada e o bruto Cabo Thorne conhecido por não ter um pingo de refinamento ou educação e por amedrontar os habitantes locais. Porém vai se tornando claro a todos que Kate não fica amedrontada pelas maneiras do Cabo, aproximando-se dele mais do que qualquer um ousara até então.

A história pregressa de Samuel que foi tão maltratado pela vida, seja vivendo nas ruas ou conquistando seu sustento como caçador furtivo, na prisão ou no exército faz com que entendamos por que é difícil para ele adaptar-se a sociedade. Tessa Dare é consistente, não modificando sua personalidade após o homem se apaixonar, ele continua bruto e mal-educado, porém o amor que sente por Kate nos faz desculpar até seus maiores deslizes.

A família amalucada de Kate e o frisson que causa na Bahia das Solteironas me faz esperar sua reaparição nos próximos volumes da série.Mesmo que eu tenha tido certa dificuldade para me apaixonar por seus personagens no primeiro livro, estou cada vez mais encantada com Spindle Cove e esperando ansiosa pelas próximas histórias do lugarejo com o toque de humor tão próprio de Tessa Dare. 

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O Sol é Para Todos – Harper Lee

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Publicado originalmente em 1960 e ganhador do prêmio Pulitzer em 1961, “O sol é para todos” continua sendo um livro absolutamente atual e tocante, tanto em sua temática racial quanto em sua narrativa sincera, envolvente e dolorosamente verdadeira.
O ano é 1935 e a cidade é a pacata Maycomb, no Sul dos Estados Unidos. O livro é narrado em primeira pessoa pela pequena Scout, uma menina branca de 8 anos de idade. Scout é orfã de mãe e mora com seu irmão mais velho Jem e seu pai, o advogado Atuccus Finch. A empregada dos Finch, Calpúrnia, é uma senhora negra que acaba se tornando uma segunda mãe para as crianças.

“Ninguém precisa mostrar tudo que sabe. Não é educado. Em segundo lugar, as pessoas não gostam de quem sabe mais que eles. Incomoda. A gente não muda os outros falando direito, eles precisam querer aprender. E se não querem, o jeito é ficar calada ou falar como eles.”

Calpúrnia apesar das diferenças de gênero e idade está sempre entendendo-se com Scout e Jem  que são irmãos inseparáveis e vivem tentando descobrir qual o problema de Boo Radley, o misterioso vizinho dos Finch que nunca sai de casa. Não vou falar muito sobre esse personagem, direi apenas que ele terá uma importância vital no desenrolar dos fatos. As crianças Finch tem uma relação estreita com o pai e são seus maiores admiradores. Aticcus Finch é um desses personagens que te fazem querer encontrá-lo na rua e lhe agradecer pelo simples fato de existir. Só que ele, infelizmente, não existe 😦 . O senhor Finch é um pai amoroso e severo na medida certa, e um advogado honesto e comprometido com a verdade e a justiça. Tamanha virtude torna o personagem extremamente atraente para o leitor, ainda que ele esteja beirando seus 50 anos e seja meio cego de um olho. Será que existe gente assim? Pelo bem da humanidade, quero acreditar que sim.

“A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa.” Aticcus Finch ❤

A vida da família Finch sofre uma grande reviravolta quando Aticcus é designado pelo juiz Taylor para ser o advogado de defesa de um homem negro, Tom Robinson, que é acusado de estuprar e espancar uma jovem branca. Aticcus está determinado a descobrir e expor a verdade e a fazer justiça no caso de Tom. Mas a cidade de Maycomb tem ideias muito claras sobre quem deve prevalecer quando se trata da palavra de uma jovem branca contra a palavra de um “negro sem valor”.
Scout e Jem acabam sofrendo as retaliações do caso junto com o pai, e em meio a suas inocentes brincadeiras são forçados a encarar a cruel realidade do preconceito e da fraqueza de caráter tão comuns no ser humano.
Pela perspectiva ingênua e absolutamente sincera da jovem Scout, Harper Lee apresenta os fatos e nos conduz até o julgamento de Tom Robinson, e além dele, nos fazendo refletir sobre questões tão fundamentais quando incômodas como preconceito, verdade, justiça, ética e honra. Digno do Pulitzer.

Escândalo na Primavera – Lisa Kleypas

04 Escândalos Primaverapor Mariana Guarilha 

A história de amor de Daisy tinha algumas características em comum com a história de sua irmã mais velha. Assim como Lílian, ela já conhecia seu pretendente a algum tempo, mas o julgava o último homem por quem poderia se interessar. Mathew Swift era a mão direita de seu pai, mais amado por ele que qualquer um de seus filhos por conta de sua ambição e habilidade nos negócios.

A família  Swift gozava de prestígio na América, e não seria considerado um mal casamento para Daisy reunir-se a tal família de capitalistas, já que as três temporadas anteriores na Inglaterra não tornavam provável que Daisy encontrasse um nobre inglês com quem se casar. Porém, casar com Mathew Swift não é uma opção para Daisy e assim ela pede ajuda as Wallflowers para encontrar um marido que seu pai pode aceitar para que não tenha que contentar-se com o irritadiço magricela que atormentou sua infância e de Liliam.

Mathew Swift por sua vez, apesar de ter mantido em segredo uma paixão pela romântica Daisy, considera-se indigno para ser seu marido, pois sabe que a teia de enganos que teceu para conseguir se estabelecer não poderia protegê-lo para sempre. Porém não consegue resistir a provocá-la um pouco quando percebe que a ideia do matrimonio a desconcerta.

O ponto alto do livro é que até os maridos conspiram para ajudar a romântica Daisy  a encontrar um par que lhe agradem. Ver o digno Westcliff e o malandro St. Vincent assumindo o papel de alcoviteiras é tão inusitado que me fazia rir por páginas inteiras.Porém a atração de Daisy por Swift não me convenceu, e as pequenas implicâncias entre eles pareciam uma versão desbotada das discussões acaloradas entre Liliam e Marcus no segundo livro da série. Porém, mesmo o livro mais fraco da série ainda tem seus momentos apaixonantes.

Saga

Pecados no Inverno – Lisa Kleypas

Pecados no Inverno

por Mariana Guarilha 

Evie era a mais tímida entre as Wallflowers, moças que se tornaram amigas após serem deixadas de lado nos bailes da alta sociedade londrina. Era filha de um casamento escandaloso, pois apesar de sua mãe pertencem a alta sociedade, ela fugira para se casar com um ex boxeador que fez fortuna com uma casa de jogos de má reputação. Acreditando que o ambiente em que vivia não era saudável para uma menina, entregou a menina a família da esposa, espaçando cada vez mais as visitas e afastando-a do que poderia macular sua reputação.

Porém a beleza ruiva já não importa a reputação. Para fugir dos desmandos de uma família cruel e que desdenha suas origens , mas busca uma maneira de se apossar de sua fortuna, Evie recorre ao mais inusitado dos homens : lorde St. Vincent. Com uma merecida reputação de vilão, St. Vincent tentou até mesmo sequestrar uma das amigas de Lilian e casar-se com ela a revelia de sua vontade para salvar-se da falência certa.

Eu estava preparada para não gostar do livro, já que Evie sempre me pareceu passiva demais diante das adversidades e a participação de St. Vincent como vilão de Aconteceu no Outono me fazia acreditar que ele estava além de qualquer redenção. Foi uma surpresa Lisa Kleypas desvelar a Evie e apresentar-nos a uma mulher pragmática, dona de si e de força ímpar. Acostumada a ter uma imagem negativa de si mesma por ter vivido tanto tempo com a família cruel,  eu tinha medo que diante de qualquer migalha de atenção dada por St. Vincent a faria grata a ele pelo resto de seus dias, porém não é o que acontece.

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O casamento era a única forma de ela ter sua liberdade e conquistar a posse do que lhe era devido. Ela permite-se ser usada por St. Vincent em troca de sua proteção, porém ela impõe as regras e é fiel a elas por todo o livro, ainda que pareça agir mais por teimosia do que por vontade.

Por mais que os dois pareçam não ter muito em comum , fica claro que assim como Evie, Sebastian St. Vincent também ficou refém por muito tempo das expectativas negativas que todos tinham para ele. Ao ser exposto a doçura de Evie, ele se transforma. Ainda que eu tenha minhas ressalvas quanto a ele, assim como grande parte dos personagens, a forma como a autora conduz a história me fez acreditar em sua redenção. Ainda que ele permaneça um canalha, agora ele é um canalha devotado a Evie.

Pecados no Inverno é o ponto alto da série Wallflowers que no Brasil ficou conhecida como As Quatro Estações do Amor. Além do bem conduzido romance dos protagonistas, é neste livro que conhecemos Cam Rowan, o paciente cigano que acaba responsável pelos impossíveis Hathaways em outra série da autora.

Saga