Desejando O Demônio ( Lorraine Heath)

desejando oo dpor Mariana Guarilha

Jack Dodger é sobretudo um sobrevivente. O menino que teve que vencer a violência das ruas de Londres e hoje é dono de um exclusivo Clube de Cavalheiros tem a fama de ser implacável, um homem a quem ninguém deseja enfrentar. Ele seria o homem certo para entrar em uma briga ou mesmo um bom parceiro de negócios, mas ninguém, nem o próprio Jack entende as motivações que fizeram um nobre deixá-lo responsável por seu herdeiro, sua viúva e seu legado após a morte.

Olívia Stanford, duquesa de Lovingdon, e viúva do antigo duque, está disposta a tudo para questionar o testamento do marido, já que sua principal preocupação é manter seu filho de apenas quatro anos de idade longe da influência de Jack. Porém, algo se colocará no caminho da obstinada viúva: a atração entre ela e o afamado jogador.

Jack até pensa em isentar-se da responsabilidade que lhe atribuiu um homem como Lovingdon, porém os anos de penúria o ensinaram a não desperdiçar dinheiro, e além disso, Jack acaba se preocupando com a saúde do herdeiro a qual lhe foi dada a tutela, já que esse parece estar sob a mira de alguns primos pouco confiáveis.

Levando-se em conta que Jack Dodger me pareceu um vilão perfeito no primeiro livro da série, fui pega de surpresa pela rapidez com que me afeiçoei a ele com poucas páginas quando suas motivações me foram apresentadas. Lorraine Heath não nos poupa ao apresentar os sofrimentos que o Jovem Jack sofreu nas ruas antes de ter seu destino mudado pela aparição de Lucius em sua vida.

Olívia é uma personagem igualmente apaixonante, apesar de seu orgulho aristocrático, é uma delícia ver seus absolutos sendo desconstruídos quando ela passa a ver a bondade em Dodger.

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If He’s Tempted (Hannah Howell)

15814192por Mariana Guarilha 

O quinto livro da série Wherlocke da Hannah Howell trás como protagonistas personagens que são nossos  velhos conhecidos: Olimpia Wherlocke, a clarividente irmã de Argus, e Lord Brant Mallam,  Conde de Fieldgate. Acompanhamos o drama de Grant em A Sensitiva quando ele descobre que sua mãe foi responsável pela morte da mulher que amava para evitar um casamento pouco vantajoso. Ele passou um grande período de tempo achando que sua noiva o tinha abandonado para fugir com outro homem, enquanto a verdade é que o pai dela, junto com a Lady Mallan a venderam para um bordel onde ela sofreu uma morte violenta.

A culpa pela morte de seu primeiro amor e o fato dele ter acreditado que ela o havia abandonado ainda atormentam a Grant que vive uma vida de vícios dissolutos e ignora a maioria de suas responsabilidades com a família. Apesar de ter expulsado sua mãe de suas terras ela ainda conta com muitos aliados e mantém o controle da propriedade.

Olimpia é procurada pela irmã mais nova de Grant que está em desespero. Lady Mallan, agora impedida de roubar a propriedade do próprio filho, arrumou uma outra maneira de encher seus cofres. Seu plano sórdido inclui vender a própria filha a um nobre de vida dissoluta em estágio avançado de sífilis apenas para encher seus cofres. Também mais e mais jovens tem desaparecido das proximidades das terras do  Conde de Fieldgate, levando as pessoas a suspeitarem que a filha do vigário pode não ter sido a única vítima da condessa cruel a ser vendida.

Olímpia sempre teve simpatia por Grant, e se sentia de certa forma vulnerável perto dele. Tendo dramas em seu próprio passado, ela não é tão dura com ele quanto o restante da sociedade.O casal funciona muito bem, pois a estóica Olímpia oferece equilíbrio a Grant, que até agora tinha andado a esmo, perdido nos arroubos de seu próprio coração. Com certeza é meu casal predileto em toda a série. Este é um livro ainda não publicado no Brasil, a Lua de Papel, editora responsável por publicar os primeiros quatro livros da série ainda não se pronunciou sobre a publicação do restante da série.

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O Escolhido – Hannah Howell

livro-o-escolhido-Hannah-Howell-serie-wherlock-mademoisellelovesbookspor Mariana Guarilha

“O Escolhido” é o quarto livro da série Wherlocke e o primeiro a ter um protagonista homem. O herói romântico da história tem um dos dons mais difíceis de conciliar com a vida comum:  Argus Wherlocke é sempre capaz de saber quando alguém está mentindo e pode controlar a mente de outras pessoas. Por ter assistido o fracasso do casamento de seus pais está decidido a nunca se apaixonar, mas quando circunstâncias incomuns o colocam frente a Lorelei Sundun há pouco o que fazer para evitar a paixão.

Lorelei é uma nobre pouco comum: com uma grande família e um pai que está sempre imerso em seus interesses peculiares, sempre teve mais liberdade do que as outras jovens de boa família. Quando uma projeção de Argus Wherlocke aparece em seu jardim pedindo para que contactasse sua família, ela pode correr em seu socorro. Argus foi sequestrado e mantido em cativeiro por homens misteriosos que acreditavam que poderiam roubar o seu dom, e a inversão fazendo com que ele precise ser salvo por Lorelei já é o primeiro motivo para que eu tenha um carinho especial pelo livro.

O livro tem algumas vantagens em relação aos que o precederam: a abundância de personagens que já conhecíamos das outras histórias e por quem já nutríamos certo carinho garante já um lugar especial em nosso coração. Além disso, os personagens secundários apresentados são excelentes: destaque para Roland Sundun. o Duque de Sundunmoor. O pai da protagonista é um acadêmico interessado no sobrenatural, assim não houve estranhamento real quando os estranhos Wherlocke se hospedaram em sua casa. Além disso, ele tem uma visão muito rara sobre como tratar a sua filha, não negando a ela a possibilidade de viver sua paixão escandalosa.

Como sempre, a trama de espionagem acaba apresentando umas pontas soltas já que a autora se detém mais no romance do que nas tensões apresentadas como pano de fundo. Apesar disso, as páginas correm sem dificuldade em uma leitura que entretém com seus personagens apaixonantes.

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The Perfect Bride (Samantha James)

A noiva perfeitapor Mariana Guarilha

O primeiro livro da série Sterling trás a história de Devon Saint James,a filha bastarda de uma preceptora, que após a morte da mãe tem que usar toda a sua esperteza para sobreviver no bairro mais perigoso de Londres. Quando voltava do trabalho, Devon foi abordada por uma conhecida dupla de ladrões que não só desejavam levar todos os seus rendimentos, como também roubar-lhe a virgindade. Corajosa, Devon resiste ao assalto, mas acaba abandonada para morrer em uma rua suja e escura.

Sebastian Sterling, o célebre  Marquês de Thurston, não era um frequentador daquela parte da cidade, mas encontra a jovem moribunda quando vai resgatar seu irmão rebelde de uma mesa de jogo. Apesar de não parecer muito seguro que tomou a decisão certa ao levar a jovem desconhecida para casa, ele oferece abrigo até que ela esteja curada.

Sebastian é o típico nobre orgulhoso retratado muitas vezes em livros do gênero, e ele parece querer enquadrar a heroína o tempo todo, porém apesar desse comportamento turrão, ele está sempre cuidando de suas necessidades. Confesso que estou um tanto enjoada desse tipo de herói tão repetidamente endeusado em romances de época, e fico me perguntando se seria muito esperar que o protagonista mostrasse claramente a sua admiração e respeito pela moça que pretende desposar.

Devon é uma menina doce que demonstra o desejo de ser preceptora como foi a sua mãe, e apesar de aceitar a ajuda do Marquês que pretende alfabetizá-la e educá-la, tem poucas esperanças de sair dos becos da cidade. Mesmo com toda a atração que sente por Sebastian,Devon  se comporta de maneira passiva demais, e esse é mais um clichê que me desagrada.  Apesar dessas ressalvas, espero ler o restante da série já que a escrita de Samantha James flui na leitura sem grandes percalços.

Dez Coisas que Amo em Você (Ten Things I Love about You) Júlia Quinn

Dez Coisas Que Amo Sobre Você - Julia Quinnpor Mariana Guarilha 

No livro anterior eu já havia me apaixonado pelo distinto primo de Harry Valentine, Sebastian Grey. Sebastian é o herdeiro presumido do Conde de Newbury, porém entre ele e o condado está o desgosto do Conde que está disposto a se casar novamente só para que o sobrinho não seja seu herdeiro. 

Apesar de ter sessenta anos e estar levemente fora de forma, Newbury ainda é considerado um bom partido por ser Conde, e colocou seus olhos em Annabel Winston,  a mais velha de oito filhos que tem sobre si a responsabilidade de salvar sua família da ruína. A ideia de desposar um senhor de idade avançada não é nada atraente para Anabelle , porém ela tem uma natureza prática e está disposta a fazer o que precisa ser feito.

Com o iminente casamento de seu tio com uma garota de quadris largos o futuro de Sebastian não parece promissor, porém com 29 anos e uma ótima aparência, muitas mocinhas suspiram por ele pelos cantos. Todos se perguntam  como Grey se sustenta, já que não parece trabalhar. Porém , ele mantém uma personalidade e uma ocupação secretas.

Annabel Winston não é de forma alguma o par óbvio para o sonhador Sebastian, porém é impossível não torcer por eles, ainda mais diante do futuro pavoroso que a espera no casamento com o nojento Newbury.  Confesso , porém, que muito mais que o romance apresentado foi a revelação do mistério da segunda personalidade de Sebastian a parte que mais me encantou no livro.

Se você ainda não leu o livro e quer se surpreender com este mistério peço que não leia o restante da resenha. 

Em alguns livros anteriores eu já tinha sido apresentada a  Sarah Gorely,  a autora de romances góticos exageradas preferida de Lady Danbury.  No volume anterior da trilogia Belvestoke Aconteceu em Londres, fomos surpreendidos com uma ótima cena em que Grey faz uma leitura de um dos livros na casa de Olivia. Eu deveria ter percebido que a paixão de Sebastian pela obra era o genuíno orgulho do autor. Confesso que imaginei uma história paralela onde Sarah Gorely seria o par perfeito de Lady Whistledon, desparelhando dois dos casais mais amados de Júlia Quinn.

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Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

por Mariana Guarilha 

tim_mais_vale_tudoO segredo para uma boa biografia é um retratado tão interessante que nos faça esquecer que não se trata de pura ficção. Tim Maia é uma dessas pessoas, com sua personalidade tão marcante que parecia possível ouvir sua voz durante a leitura. Somando-se o fato de Nelson Motta ter sido amigo pessoal de Tim  e ter capturado tão bem o seu jeito, documentando seus aforismos e desnudado sua malandragem.

Além do protagonista Tim Maia, o livro ainda cita outras personalidades famosas como: Roberto Carlos, Erasmo, Jorge Ben, Rita Lee em hilariantes histórias que compartilharam com Tim.

Começando pela infância pobre de Tim em uma família numerosa, passando pelos anos de ressentimento quando Tim não se conformava em ver os amigos menos talentosos alçando voo enquanto ele ainda amargava a pobreza até seu estrelato e seu comportamento controverso na fama, Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia não esconde as fraquezas de seu biografado, porém faz com que os defeitos de Tim sejam tão fascinantes quanto seu talento.

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Além da música, Tim sempre foi famoso pelo comportamento instável. Muitas vezes falta a shows depois de fazer o que ele chamava de triathlon: uma mistura de altas doses de álcool , maconha e cocaína. Apesar desse aparente descuido com sua carreira, Tim era um artista com visão, em uma época onde isso não era comum tinha total controle da sua carreira, através da editora de músicas Seroma que possibilitou entre outras coisas que ele gravasse de forma independente.

Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia  é leitura obrigatória a quem se interessa por música, e sua leitura acompanhada da discografia de Tim um deleite mesmo ao mais exigente consumidor de biografias.

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Novembro de 63

por Ethel Duveen

O livro – Há três anos atrás um amigo me indicou um livro chamado “Novembro de 63”. Quando eu soube que o escritor era o mestre Stephen King me interessei na hora. Pela sinopse vi que era uma ficção científica narrando a história de um homem que viaja no tempo para tentar impedir o assassinato do presidente americano John F. Kennedy. Nós estávamos em uma livraria e já saí de lá com um exemplar em mãos, babando para começar a leitura. Adorei o livro.
Muitos livros depois, há alguns meses atrás, esse mesmo amigo me disse que produziram uma série em 8 episódios baseada em “Novembro de 63”. É claro que fui correndo procurar na internet.

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O nome da série é 11.22.63, que é o título do livro no original. Trata-se de uma produção recente, foi lançada em fevereiro desse ano, o livro é de 2011. Bem, e é sobre a série que vamos conversar agora.
A série – O personagem principal, Jake Epping/Amberson, é um professor de inglês que vive em uma cidadezinha no interior do Maine – estado americano onde o próprio Stephen King nasceu e vive até hoje.
nwp246FEATQuem dá vida à Jake na série é o americano James Franco, ator que gosto bastante por seu charme nada óbvio e pelos personagens pouco convencionais que costuma interpretar. Franco também é um dos produtores da série, os outros dois são o próprio Mr. King e o aclamado J. J. Abrams. Agora você se interessou, né?
A abertura – sempre presto atenção na abertura, em geral é um bom indicativo do cuidado da produção, essa começou muito bem. Preste atenção nas referências e no clima de suspense noir, que é a cara dos anos 60.
A históriaJake tem um amigo chamado Al, que é dono de uma tradicional lanchonete na cidade. Al descobre que na dispensa de sua lanchonete existe um portal capaz de transportar as pessoas no tempo.
A questão é que todas às vezes que Al faz a travessia ele acaba sempre caindo na mesma data, em outubro de 1960. Al acredita que há um motivo para isso e decide que sua missão é impedir o assassinato do presidente Kennedy. Mas o passado não quer modificado e as tentativas de Al são frustradas de várias maneiras. Al descobre que tem uma doença terminal e encarrega Jake de cumprir a tarefa que ele não conseguiu realizar.

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Ben_Mark_Holzberg2-932x1400Isso é só o começo da verdadeira história, que é sobre a vida de Jake durante os próximos três anos, enquanto ele faz de tudo para tentar frustrar o assassinato do presidente. Al avisa Jake que ele não deve se envolver muito com ninguém no passado, ele é um forasteiro ali e deve se lembrar disso. Mas o destino é caprichoso e Jake conhece uma bibliotecária divorciada e não consegue evitar se apaixonar por ela.
O roteiro já é suficiente para instigar qualquer um a assistir essa série, mas o figurino, cheio de vestidos dos anos 60, é um apelo irresistível para qualquer mulher que tenha a menor inclinação “fashionista” dentro de si, ou seja, todas nós.
A trilha sonora também cai como uma luva e faz você viajar para 1960 sem precisar sair do sofá de casa. Para deleite dos rapazes, e de muitas mulheres, eu inclusive, há uma coleção de carros da época que aparecem ao longo da história, eles são tão perfeitamente conservados/restaurados que parecem, eles mesmos, terem acabo sair de alguma concessionária americana do passado e se materializado na tela da televisão.
Sugiro fortemente que além de assistir essa excelente adaptação, você leia o livro que deu origem a série. Quando se trata de Stephen King não tem como dar errado.

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Hocus Pocus -Kurt Vonnegut

db4a91dbf725c2dcea69f00dbd8777965059bcdfpor Mariana Guarilha 

A expressão Hocus Pocus que dá nome ao romance teria se derivado da declaração em latim ‘Hoc est corpus meum’ proferida na celebração católica da eucaristia , e passa a ser utilizada para se referir a situações teatralizadas de magia. Não haveria melhor expressão para dar nome ao romance de Kurt Vonnegut do que esta que já tem em si o certo humor ácido e irônico do autor.

Neste romance de história alternativa, após a Guerra do Vietnã, os Estados Unidos da América passam a ser controlados pelo capital estrangeiro, especialmente representado na história por grandes corporações japonesas que oferecem mão de obra barata e descartável para a prisão que em sua maioria abriga trabalhadores do tráfico de drogas.

Em seu cenário atípico, a cidade de Scipio, apenas um lago que torna-se uma pista de gelo todo inverno, separa a prisão de uma escola de elite para crianças com problemas de aprendizado. Nosso narrador, é a princípio um dos professores da escola que é mantida pelo capital da elite americana, mas vem a conhecer o outro lado do lago ao decorrer da história. Quando um motim leva os presos a manterem os curadores do colégio como reféns, a capacidade de Hartke de adaptar-se aos dois grupos fará com que ele sobreviva ao motim, porém a um custo extremamente alto.

Eugene Debs Hartke, nosso protagonista-narrador tem muito em comum com o autor. Assim como ele sobreviveu a uma Guerra , cultiva interesses por química e foi condecorado ao voltar. Não é possível perceber que outras similaridades há entre eles.

Hartke é um homem medíocre, acabou sendo convidado a alistar-se durante uma feira de ciências onde não havia conseguido grande destaque, ainda que tenha recebido uma ajuda de seu pai, um químico experimentado. O exército acabou sendo a única distinção que poderia oferecer para que sua família se orgulhasse. Os anos e guerra ofereceram a Hartke uma visão um tanto cínica a respeito de patriotismo e civilidade, essa visão acaba sendo compartilhada com seus alunos incapazes de aprender a física que ele fora contratado para ensinar.

Simulando um relato que teria sido escrito as pressas por um homem que não poderia ter acesso a mais do que sobras de papel, o livro não prende-se a uma linha temporal, mas as histórias são sobrepostas como nos  parênteses de alguém que expõe o que pensa oralmente. Simulando as trocas de papéis temos grandes traços negros no meio da página. Apesar desta descontinuidade causar certo estranhamento, o humor cínico de Vonnegut nos prende a narrativa.

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Procura-se um Mr. Thornton!

757814_Ampliadapor Ethel Duveen

A jovem Margaret Hale vive na pacata e bucólica cidade de Helstone, no Sul da Inglaterra. Seu pai é um clérigo e intelectual que ao se ver duvidando das doutrinas da igreja, resolve abandonar o sacerdócio e mudar-se com a família para a cidade industrial de Milton, no Norte.
Mr. John “Maravilhoso” Thornton é um poderoso industrial de Milton que dirige com mão de ferro sua fábrica de tecidos de algodão. Thornton mora com sua irmã, Fanny, e com sua mãe, uma viúva altiva e solitária. O orgulho que a Sra. Thornton sente do filho faz com que sua relação com ele seja quase incestuosa, para a Sra. Thornton nenhuma mulher é digna de seu precioso John.

Quando os Hale chegam a Milton, Mr. Thornton torna-se o mais ilustre pupilo do Sr. Hale. Margaret, por sua vez, fica chocada com as condições insalubres dos empregados nas fábricas do Norte e acaba fazendo amizade com o líder sindical Nicholas Higgins. O sindicato está em plena guerra contra os patrões em Milton e Thornton vê a estreita relação de Margaret com o proletariado como uma afronta pessoal a ele.
John Thornton sente uma irresistível atração por Margaret mas, devido a sua origem humilde, não se considera digno dela, que para ele é um modelo de virtude, elegância e beleza. Margaret custa a admitir que sente alguma coisa por Thornton, e quando ele se declara ela o rejeita, criando uma barreira quase intransponível entre os dois.

“ – Apenas mais uma palavra. A senhorita me olha como se pensasse que meu amor pode contaminá-la. Você não pode evitar isso. E, ainda que pudesse, não tenho como limpá-la dessa contaminação. E não faria isso, ainda que pudesse. Jamais amei qualquer mulher antes. Minha vida sempre foi muito ocupada, meus pensamentos sempre absorvidos em outras coisas. Amo e continuarei amando. Mas não tenha medo de muitas demonstrações da minha parte.”

Sabendo que não tem nenhuma chance com Margaret, Thornton passa a tratá-la com extrema frieza, mas, em segredo, continua protegendo e ajudando os Hale de todas as maneiras que consegue.
Ao longo da narrativa diversas situações levam Margaret e Thornton a travar um embate de vontades, onde o orgulho dele e a altivez dela se sobrepõem até o último momento à inegável paixão que sentem um pelo outro.
Através das perspectivas opostas desses fascinantes personagens “Norte e Sul” retrata a realidade do início da Revolução Industrial na Inglaterra do século 19, onde os operários eram considerados parte da engrenagem mecanicista das fábricas; nada além de um meio para ajudar os patrões a acumular capital.
O leitor moderno pode sentir falta do ritmo acelerado da literatura contemporânea, mas os fascinantes personagens e a temática atemporal do conflito de classes tornam esse romance um saboroso e imperdível passeio pela era vitoriana.

Em adaptação para a televisão de Norte e Sul, Mr. Thorton é vivido por Richard Armitage e Margareth Hale é interpretada por  ‎Daniela Denby-Ashe.

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Emma (1996)

por Mariana Guarilha

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p18143_p_v8_acDirigido por Douglas McGrath e com grandes nomes como Gwyneth Paltrow, Alan Cumming e Ewan McGregor, esta adaptação do texto de Jane Austen para o cinema tem momentos memoráveis.

Emma é uma jovem que acostumou-se a ocupar um lugar de destaque na comunidade, apesar de sua pouca idade. Além das responsabilidades de sua posição social também está acostumada a gerenciar a casa de seu pai, pois vive sozinha com ele. Nessas condições o casamento dificilmente seria uma imposição em sua vida, e o romance também não parecia um interesse cultivado. Pelo menos não um romance para si mesma, já que Emma gabava-se de ter conseguido um ótimo casamento para sua preceptora.

Com poucas opções a não aproveitar-se da escassa vida social, logo Emma toma sobre sua proteção a jovem Harriet Smith e desencoraja um casamento com um pequeno arrendatário convencendo-a de que vigário era uma alternativa mais acertada. Naquela época poucas profissões eram consideráveis honoráveis aos cavalheiros mais pobres, normalmente eles poderiam escolher entre a política, a igreja ou o exército. Apesar do Sr. Martin ter certo respeito como fazendeiro, ele não estava a altura de socializar com a nata da sociedade ao contrário do vigário.

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cummin-eltonO problema era que o vigário, Mr. Elton também tinha ambições para si e considerava a pobre Harriet que nem ao menos tinha uma linhagem comprovada inferior, e sua ambição o fez sonhar com um casamento que elevasse seu status social.

Assim como no clássico de Jane Austen, a história da Miss Fairfax e seu romance proibido ficam em segundo plano, para que assistamos atentos o incipiente romance entre Emma e seu vizinho. Tanto a história de Winston quanto a do Senhor Martin parecem mais dignas de nota do que o romance entre os protagonistas. É quase como se a própria Emma estivesse em nosso lugar quando lemos tais romances.

Confesso que Emma não é meu romance favorito de Austen, apesar de admirar a engenhosidade de deixar os pares dignos de romances de época em paralelo, enquanto foda sua história no típico casamento da sociedade. Ao contrário da maioria das pessoas com quem converso a respeito do romance, eu não sou uma grande fã de Mr. Knightley. Creio que há um componente um tanto doentio em um homem que pensa estar preparando desde sempre a vizinha adolescente para ser sua esposa.

Embora essa não seja minha adaptação preferida de Emma, tenho um grande carinho por que foi a primeira que conheci, e fez com que me interessasse o suficiente para procurar o livro que lhe deu origem.

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