Relembrando : Blood Ties

por Mariana Guarilha

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henry-fitzroy-blood-ties-8555021-500-334A série canadense baseada nos livros de Tanya Huff tem como protagonista a detetive Vicki Nelson. A Ex-policial, após perceber que uma doença que a faz perder gradualmente a visão noturna  a teria colocada atrás de uma mesa, pediu demissão e abriu sua própria agência como detetive particular.

Depois de resolver um primeiro caso onde o assassino é um ser sobrenatural , Vicki passa a ser procurada por um tipo diferente de clientela. Apesar de sua resistência inicial, a detetive mostra-se sempre disposta a ajudar quem parece em sua agência. Com a ajuda de Henry FitzRoy, um vampiro que seria um filho bastardo de Henrique VIII e Mike Celucci, seu ex-parceiro na polícia, não há caso estranho demais para a Nelson Investigations.

Blood Ties Season 1

e65b43e4d4c1784e1d0aa04043b037cbApesar da disposição de Henry para ajudar Vicki, o vampiro de 450 anos está longe de ser inofensivo. Ele mesmo sabe que tem que controlar a atração que sente pela detetive para que ela esteja segura. Mike, que já teve um romance com  Vicki, não só sente ciúmes , como também fica preocupado com a segurança dela perto do vampiro.

A série teve somente duas temporadas, com episódios procedurais, isto é, cada episódio tinha uma história que terminava no fim do episódio. Cada caso resolvido pela Nelson Investigations trazia novas ameaças sobrenaturais, algumas bem mais interessantes que outas, o que fazia a série ter um rendimento irregular.

Outro grande trunfo na luta contra as trevas era a assistente de  Vicki, Coreen. A gótica aparece no primeiro episódio como uma cliente da detetive, mas resolve ajudá-la quando percebe que há uma grande demanda de casos fora do comum. de início Coreen é pouco mais que uma secretária, ajudando  Vicki apenas com pesquisas e com o trabalho de escritório. Ao decorrer das temporadas torna-se uma parte cada vez mais importante da equipe. É triste que a série tenha sido cancelada prematuramente e que não possamos ver o desenvolvimento total da personagem.

A Vidente – Hannah Howell

por Mariana Guarilhaa-vidente

A Vidente é o primeiro livro da série Wherlock, que conta as histórias de amor em uma família um tanto em comum. Tanto os Wherlock quanto os Vaughn, meus primos, costumam possuir dons especiais que não podem ser facilmente explicados. Esses dons tem sido também uma espécie de maldição durante os séculos, já que muitas vezes o portador tem sido abandonado pela família que não consegue lidar com essa realidade.

Chloe Wherlock foi expulsa de casa pela própria mãe quando uma visão a fez correr ao encontro da irmã renegada. Ao encontrar sua irmã Laurel em seu leito de morte, Chloe tem a oportunidade de salvar o jovem herdeiro do Conde de Colinsmoore da morte certa que foi planejada por sua própria mãe. Com a ajuda de seu primo Leo, ela dá abrigo a criança até que seu pai esteja pronto a admitir que sua bela esposa teria sido capaz de abandonar o filho recém nascido as portas da morte.

Sir Julian Kenwood, o atual Conde de Colinsmoore, é um homem fraco. Por muito tempo foi manipulado por Beatrice , sua bela e cruel esposa, e quando descobriu que ela não era capaz de ser fiel, caiu em uma vida de excessos. As premonições de Chloe que uma vez salvaram seu filho, agora são constantemente necessárias para salvar sua própria vida.

Mais uma vez  temos excelentes cenas de ação, porém o romance entre Chloe Julian demorou a me convencer. A corajosa e altruísta Chloe merecia um homem mais forte. Seus primos Leo e Mordred que aparecem durante a história me pareceram homens mais adequados, e me surpreendi torcendo para que eu tivesse entendido errado quem era o par romântico da protagonista. Outro problema que percebi durante a leitura foi o desenvolvimento de Anthony que não falava ou agia como uma criança de três anos. Apesar desses deslizes, a história ainda é divertida e seus personagens interessantes e ainda que eu veja muitos defeitos em seus protagonistas prendeu minha atenção do início ao fim.

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Sonho Febril – George R.R. Martin

edf8Fgx.jpgpor Mariana Guarilha 

Sonho Febril conta a história de uma amizade improvável. Quando o Capitão Abner Marsh teve um revés e perdeu quase todos os seus barcos, ele recebe uma proposta tentadora: o estranho Joshua York se oferece para construir o melhor e mais luxuoso barco que ele já teve, em troca apenas de seu conhecimento sobre o rio e sociedade em seu negócio de vapores.

Embora Marsh estranhe quão generosa é a proposta e questione qual o interesse de York, ele concorda em não fazer muitas perguntas e em respeitar os estranhos hábitos de seu novo sócio.

York e Marsh são homens tão diferentes que poderiam ser descritos como opostos. Marsh é um homem do rio, acostumou-se a dura vida a bordo. É conhecido por ser honesto e confiável, porém um tanto rude. Dizem que não há outro homem tão feio como Marsh em todo o rio: ele é gordo, teve seu nariz achatado e seu rosto é cheio de verrugas que nem mesmo sua barba cultivada consegue esconder, por causa disso o capitão nunca se sentiu a vontade com as mulheres, especialmente as mulheres bonitas.

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Joshua York é o tipico vampiro: charmoso, de aparência etérea, ele conquista a confiança de todos a bordo, ainda que as pessoas costumem a questionar seus estranhos hábitos. Uma das condições de sua sociedade , seria poder trazer seus amigos a bordo sempre que fosse de sua vontade e são esses amigos que passam a incomodar o Capitão Marsh. 

george-r-r-martin-fevre-dreamOs vampiros de George R.R. Martin são clássicos em muitos aspectos: não podem conviver sonho-febril-personagens-1com a luz do sol, são mortos através de decapitação ou fogo. Sua sede de sangue os leva a carnificina e tem poderes como força, longevidade e um domínio da presa através do olhar. A única diferença do mito clássico é que eles nunca foram humanos, sendo uma espécie separada da nossa. No antagonista de York, Damon Julian temos ainda mais características desse vampiro clássico, para quem a matança perdeu o impacto e a vida carece de significado.

George R.R. Martin  como sempre é mestre em nos emocionar, e o livro tem muitos méritos, do cenário encantador dos rios dominados por vapores luxuosos aos muito bem delineados aos personagens críveis. Para quem ama os vampiros criados por Anne Rice, Sonho Febril é leitura obrigatória.

Poldark (BBC-2015) A primeira temporada

por Mariana Guarilha

poldark_1300_2321777aPOLDARK.Mammoth Screen for The BBC 052.jpgA série da BBC é baseada em uma série de 12 livros (Poldark Novels) escritos por Winston Graham. A história percorre 40 anos, desde o patriarca Ross Poldark até seus descendentes. Houve uma primeira adaptação antes dessa em 1975 onde Robin Ellis faz o papel de Ross. Na nova adaptação cabe a  Aidan Turner viver o protagonista.

Ross retorna a Inglaterra após ter lutado no exército britânico durante a Guerra da Independência dos Estados Unidos. Ferido em combate, todos acreditavam que ele estava morto, quando retorna , ele não tinha notícias da morte de seu pai, nem que sua amada estava noiva de seu primo, ou que suas terras estavam largadas aos lobos.

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Apesar do cenário desolador, Ross decide revitalizar as suas terras e reabrir uma antiga mina de cobre fechada a 20 anos atrás. Ele não tem grande apoio da família que restou.Receoso de que a volta de Ross coloque fim aos planos de casamento de seu filho, o tio busca afastá-lo através de uma proposta: ele lhe manteria em Londres para que esse pudesse  investir em uma profissão: as leis ou a igreja, a sua escolha. porém Ross Poldark escolhe trabalhar em suas próprias terras.

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Após passar tantos anos no exército, Poldark está extremamente endurecido. Apesar de seu amor por Elizabeth e pelo primo Frances que acaba desposando-a, muitas vezes os trata com rudeza. Aidan acertou o tom, mostrando um homem terno, apesar de nada delicado.

Ao salvar a jovem Demelza de uma vida de agressão, torna-se responsável por ela, assim como pelos trabalhadores que aceitam trabalhar para ele por parcos ganhos na esperança de melhores tempos. Ross Poldark , por ter convivido com todo tipo de pessoas no exército, tende a ser bem mais compreensivo com as classes baixas, e até prefere a companhia dos homens simples em detrimento da alta sociedade a qual pertence.

É mesmo uma pena que o material ainda não tenha sido publicado no Brasil, a série com boas atuações e ótima fotografia  me fez ansiar pelo material original.

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O Tigre de Sharpe – Bernard Cornwell

tigrepor Mariana Guarilha 

Em sua primeira aventura Richard Sharpe, um soldado inglês que não parece muito a vontade com os códigos do exército britânico está na Ìndia para derrubar o Sultão Taipu, um grande aliado dos franceses. Quando é acusado de insubordinação, Sharpe não tem outra opção a não ser aceitar uma missão perigosa: se infiltrar no exército inimigo para passar informações estratégicas.

A cidade de Seringapattan é uma fortaleza praticamente inexpugnável, o sucesso do exército inglês depende quase completamente de seus espiões, porém uma situação inesperada faz com que Sharpe tenha que lutar com seus próprios companheiros

Com o desafeto do sargento Hakeswill, parece que Sharpe não tem uma grande chance de crescer na Companhia Ligeira do 33º Regimento do Rei. Junto aos mercenários franceses  Sharpe parece mais a vontade, e mesmo os favores do Sultão parecem uma oportunidade melhor do que a dura disciplina do exército inglês.

O Tigre de Sharpe é narrado em terceira pessoa, e quase totalmente na voz de Dick Sharpe, porém em alguns capítulos é necessário a presença de outro narrador . Como é comum a outras obras de Bernard Cornwell, os personagens fictícios do autor convivem com personagens históricos , e o sucesso da narrativa se dá por essa interação parecer crível graças a riqueza de detalhes da ambientação. Também em comum com outros livros do autor há excelentes cenas de batalha que colocam o leitor no centro da ação.

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A Sensitiva -Hannah Howell

por Mariana Guarilha

whatsapp-image-2016-09-14-at-22-24-26O segundo livro da série Wherlock conta a história da azarada Penélope. Quase uma gata borralheira, Penélope após ficar órfã é obrigada a viver com a família do segundo marido de sua mãe. Seus meio-irmãos, os orgulhosos Clarissa e Charles nunca a consideraram parte da família, e se apropriaram de sua herança isolando-a da sociedade local.

Penélope tinha uma grande responsabilidade, quando sua mãe deixou os bastardos do seu pai sem lar após ele morrer, ela toma os irmãos sob sua responsabilidade, dividindo o tempo que passa no porão da casa de seus meio-irmãos com a alegre Toca Wherlock. Quando os demais Wherlocks descobriram a disposição da moça para cuidar de dois bastardos da família começaram a trazer seus filhos naturais. Assim, Penélope acabou responsável por manter dez crianças com seus magros ganhos.

O senso de responsabilidade não é a única característica incomum a Penélope, ela tem um dom especial e pode se comunicar com os espíritos. Esse tipo de dom não é incomum aos Wherlocks , apesar de se manifestar de forma diferente em cada indivíduo. Como seus antepassados tiveram dificuldades e foram acusados de bruxaria, os nobres Wherlock tendem a levar uma vida reclusa.

Quando Lorde Ashton salva Penélope de um plano nefasto de sua família para se apropriar de tudo que lhe resta antes que ela atinja a maioridade, ele se apaixona perdidamente por ela. Porém, há várias complicações que atrapalham o romance: O Visconde teve toda sua herança consumida pelo pai libertino e para não acabar com toda a sua família na prisão dos devedores, Ashton precisa se casar com uma rica herdeira. Clarissa, a meia-irmã de Penélope parece a esposa perfeita para ele, pois como o título de nobreza recente do seu irmão é um tanto novo e desprezado por parte da sociedade, ela também se beneficiaria do casamento.

Conforme Ashton e seus amigos se comprometem a ajudar a Penélope, ele se afeiçoa a ela e as crianças que ela protege e parece cada vez mais difícil se conformar com um casamento de conveniência com a fria Clarissa.

Uma das grandes diferenças para o estilo de Hanna Howell para os livros de época a que estou acostumada é que há muita ação, a história não se passa entre chás e bailes apenas, mas eles descobrem conspirações e andam pelas ruas perigosas da Londres Vitoriana. Além dessa diferença, há muitos personagens coadjuvantes tão bem delineados que espero encontrá-los nos outros livros da série.

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Slightly Dangerous – Mary Balogh (Ligeiramente Perigoso)

9780749937720por Mariana Guarilha 

No primeiro livro da série Bedwyns, o primogênito da família já era o personagem que mais me chamava a atenção. Apesar de em todo momento ser pontuado que ele era um homem extremamente frio e orgulhoso , algumas de suas ações pareciam não corresponder com a imagem de nobre empoado que ele cultivava. De forma magistral, Mary Balogh foi humanizando Wulfric pouco a pouco em cada aparição sua nas histórias de seus irmãos, e já no primeiro capítulo em que ele tem voz em Slightly Dangerous nos encontramos completamente apaixonadas.

Wulfric Bedwyn, o Duque de Bewcastle foi separado de seus irmãos aos 12 anos quando seu pai soube que era preciso apressar os preparativos para que ele pudesse assumir seu lugar.Ele foi ensinado a manter uma postura fria e distante, e por mais que tenha resistido a educação proporcionada por seu pai até seu leito de morte , assumiu todas as responsabilidades que pesavam sobre ele colocando em segundo plano sua vida pessoal

Enfrentando uma leve depressão após todos os irmãos saírem de casa para se casar e com a recente morte de sua amante que lhe fez companhia por dez anos, contra todos os seus hábitos, ele aceita ir a uma festa campestre na casa de pessoas que lhe são praticamente desconhecidas.

Wulfric, acostumado a intimidar as pessoas com seu olhar ducal e sua figura que resplandece autoridade fica incomodado quando percebe que uma mulher está disposto a enfrentá-lo e até mesmo a fazer piada com sua aura de orgulho.

Christine Derrick já pertenceu uma vez a alta sociedade quando casou com o filho mais novo de um conde.Ao ficar viúva escolheu voltar para a casa de seus pais e cortar relações com a família do marido que a culpa por sua morte. Filha de um cavalheiro empobrecido que também trabalhava como professor em um pequeno vilarejo, Christine não teve acesso a educação da alta sociedade, porém mesmo com suas gafes ela conseguia encantar as pessoas onde quer que fosse.

O romance funciona por quebrar nossas expectativas a respeito de quem seria o par ideal de Wulfric. Um dos maiores acertos de Mary Balogh é não negar os defeitos de seu protagonista: ele ainda é orgulhoso, irascível , porém conseguimos torcer por sua felicidade ao vê-lo dobrando-se pela paixão a uma mulher que está longe de ser sua escolha ideal. Christine  é apaixonante , e como sempre a interação com o restante da família Bedwyn é um dos pontos altos do livro. Mary Balogh termina a série com um de seus melhores livros.

Um Coração para Milton -Trudy Brasure

por Ethel Duveen

14233622_1012110382239133_1307836421_oLeitura obrigatória para os amantes de romances vitorianos, o clássico “Norte e Sul”, da escritora britânica Elisabeth Gaskell, ganhou uma sequência mega romântica escrita pela americana Trudy Brasure.
Narrado segundo os parâmetros da época, o maravilhoso original de Gaskell, lançado em 1854, deixa em nós, leitoras do século 21, o desejo de presenciar um pouco mais da vida compartilhada, da intimidade e da consumação do relacionamento entre Margaret Hale e John Thornton. É justamente esse o ponto de partida de “Um coração para Milton”.
“- Bem, minha querida, deixe-me contar a você uma história de amor eterno…”
Palavras de Sophie Langford, filha mais velha de Margaret e John Thornton, para sua neta Arabella Sheppard, que fica encantada com as cartas de amor trocadas entre seus bisavôs. Sophie decide contar toda a história para a neta e assim o livro começa, mais ou menos onde o primeiro terminou.

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Antes de mudar-se para Londres com sua tia Shaw, Margaret despede-se de Mr. Thornton com palavras enigmáticas, acendendo a esperança que já estava extinta em seu apaixonado coração:
“- Eu… eu descobri… eu aprendi a amar… a gostar de Milton”.
Ao ouvir essas palavras, ainda incrédulo e temendo ser novamente rejeitado, Thornton escreve um bilhete para Margaret pedindo que ela confirme seus sentimentos.
“Se houve alguma mudança nos seus sentimentos, me dê apenas um sinal.
Meu coração permanece eternamente seu,
John Thornton”
A partir desse momento segue-se um banquete de romantismo, quando ambos confessam seu amor e decidem se casar o mais rápido possível. As semanas de separação que antecedem o casamento são uma doce tortura para o casal, a distância entre Londres e Milton tornando-se insuportável para eles uma vez que tem a certeza de serem correspondidos em suas afeições.
Os encontros furtivos antes do casamento, a lua de mel, o início da vida de casados em Milton, o nascimento dos filhos, tudo é narrado de forma lírica e apaixonada, um presente para os fãs desses carismáticos personagens.
Apesar de pequenas mudanças nos rumos da história original, a visão de Trudy do futuro de Margaret e John Thornton se mantém bastante fiel às características dos personagens de Gaskell e tem participações deliciosas de Mr. Higgins, Hanna Thornton e Mr. Bell. O ponto alto do livro são os primeiros e os últimos capítulos, falta um pouco de agilidade no decorrer da história, mas ainda assim é uma leitura encantadora e indispensável para os fãs de “Norte e Sul”.

Dez Coisas que Amo em Você (Ten Things I Love about You) Júlia Quinn

Dez Coisas Que Amo Sobre Você - Julia Quinnpor Mariana Guarilha 

No livro anterior eu já havia me apaixonado pelo distinto primo de Harry Valentine, Sebastian Grey. Sebastian é o herdeiro presumido do Conde de Newbury, porém entre ele e o condado está o desgosto do Conde que está disposto a se casar novamente só para que o sobrinho não seja seu herdeiro. 

Apesar de ter sessenta anos e estar levemente fora de forma, Newbury ainda é considerado um bom partido por ser Conde, e colocou seus olhos em Annabel Winston,  a mais velha de oito filhos que tem sobre si a responsabilidade de salvar sua família da ruína. A ideia de desposar um senhor de idade avançada não é nada atraente para Anabelle , porém ela tem uma natureza prática e está disposta a fazer o que precisa ser feito.

Com o iminente casamento de seu tio com uma garota de quadris largos o futuro de Sebastian não parece promissor, porém com 29 anos e uma ótima aparência, muitas mocinhas suspiram por ele pelos cantos. Todos se perguntam  como Grey se sustenta, já que não parece trabalhar. Porém , ele mantém uma personalidade e uma ocupação secretas.

Annabel Winston não é de forma alguma o par óbvio para o sonhador Sebastian, porém é impossível não torcer por eles, ainda mais diante do futuro pavoroso que a espera no casamento com o nojento Newbury.  Confesso , porém, que muito mais que o romance apresentado foi a revelação do mistério da segunda personalidade de Sebastian a parte que mais me encantou no livro.

Se você ainda não leu o livro e quer se surpreender com este mistério peço que não leia o restante da resenha. 

Em alguns livros anteriores eu já tinha sido apresentada a  Sarah Gorely,  a autora de romances góticos exageradas preferida de Lady Danbury.  No volume anterior da trilogia Belvestoke Aconteceu em Londres, fomos surpreendidos com uma ótima cena em que Grey faz uma leitura de um dos livros na casa de Olivia. Eu deveria ter percebido que a paixão de Sebastian pela obra era o genuíno orgulho do autor. Confesso que imaginei uma história paralela onde Sarah Gorely seria o par perfeito de Lady Whistledon, desparelhando dois dos casais mais amados de Júlia Quinn.

Olivia

Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia (Nelson Motta)

por Mariana Guarilha 

tim_mais_vale_tudoO segredo para uma boa biografia é um retratado tão interessante que nos faça esquecer que não se trata de pura ficção. Tim Maia é uma dessas pessoas, com sua personalidade tão marcante que parecia possível ouvir sua voz durante a leitura. Somando-se o fato de Nelson Motta ter sido amigo pessoal de Tim  e ter capturado tão bem o seu jeito, documentando seus aforismos e desnudado sua malandragem.

Além do protagonista Tim Maia, o livro ainda cita outras personalidades famosas como: Roberto Carlos, Erasmo, Jorge Ben, Rita Lee em hilariantes histórias que compartilharam com Tim.

Começando pela infância pobre de Tim em uma família numerosa, passando pelos anos de ressentimento quando Tim não se conformava em ver os amigos menos talentosos alçando voo enquanto ele ainda amargava a pobreza até seu estrelato e seu comportamento controverso na fama, Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia não esconde as fraquezas de seu biografado, porém faz com que os defeitos de Tim sejam tão fascinantes quanto seu talento.

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Além da música, Tim sempre foi famoso pelo comportamento instável. Muitas vezes falta a shows depois de fazer o que ele chamava de triathlon: uma mistura de altas doses de álcool , maconha e cocaína. Apesar desse aparente descuido com sua carreira, Tim era um artista com visão, em uma época onde isso não era comum tinha total controle da sua carreira, através da editora de músicas Seroma que possibilitou entre outras coisas que ele gravasse de forma independente.

Vale Tudo – O som e a fúria de Tim Maia  é leitura obrigatória a quem se interessa por música, e sua leitura acompanhada da discografia de Tim um deleite mesmo ao mais exigente consumidor de biografias.

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