Hocus Pocus -Kurt Vonnegut

db4a91dbf725c2dcea69f00dbd8777965059bcdfpor Mariana Guarilha 

A expressão Hocus Pocus que dá nome ao romance teria se derivado da declaração em latim ‘Hoc est corpus meum’ proferida na celebração católica da eucaristia , e passa a ser utilizada para se referir a situações teatralizadas de magia. Não haveria melhor expressão para dar nome ao romance de Kurt Vonnegut do que esta que já tem em si o certo humor ácido e irônico do autor.

Neste romance de história alternativa, após a Guerra do Vietnã, os Estados Unidos da América passam a ser controlados pelo capital estrangeiro, especialmente representado na história por grandes corporações japonesas que oferecem mão de obra barata e descartável para a prisão que em sua maioria abriga trabalhadores do tráfico de drogas.

Em seu cenário atípico, a cidade de Scipio, apenas um lago que torna-se uma pista de gelo todo inverno, separa a prisão de uma escola de elite para crianças com problemas de aprendizado. Nosso narrador, é a princípio um dos professores da escola que é mantida pelo capital da elite americana, mas vem a conhecer o outro lado do lago ao decorrer da história. Quando um motim leva os presos a manterem os curadores do colégio como reféns, a capacidade de Hartke de adaptar-se aos dois grupos fará com que ele sobreviva ao motim, porém a um custo extremamente alto.

Eugene Debs Hartke, nosso protagonista-narrador tem muito em comum com o autor. Assim como ele sobreviveu a uma Guerra , cultiva interesses por química e foi condecorado ao voltar. Não é possível perceber que outras similaridades há entre eles.

Hartke é um homem medíocre, acabou sendo convidado a alistar-se durante uma feira de ciências onde não havia conseguido grande destaque, ainda que tenha recebido uma ajuda de seu pai, um químico experimentado. O exército acabou sendo a única distinção que poderia oferecer para que sua família se orgulhasse. Os anos e guerra ofereceram a Hartke uma visão um tanto cínica a respeito de patriotismo e civilidade, essa visão acaba sendo compartilhada com seus alunos incapazes de aprender a física que ele fora contratado para ensinar.

Simulando um relato que teria sido escrito as pressas por um homem que não poderia ter acesso a mais do que sobras de papel, o livro não prende-se a uma linha temporal, mas as histórias são sobrepostas como nos  parênteses de alguém que expõe o que pensa oralmente. Simulando as trocas de papéis temos grandes traços negros no meio da página. Apesar desta descontinuidade causar certo estranhamento, o humor cínico de Vonnegut nos prende a narrativa.

kurt_vonnegut

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