Heroínas Românticas “Feministas”

por Mariana Guarilha

 

Apesar de tanto a militância feminista quanto os contra-militantes podem  ter passado uma ideia errada do feminismo para o grande público, em seu cerne feminismo é apenas a ideia de que tanto homens quanto mulheres são iguais, não existe nesse contexto sexo mais frágil ou condutas exclusivas de um único gênero. Nesse sentido, gostaria de frisar que as heroínas citadas não faziam parte do movimento político feminista, isso seria impossível, porém muito das suas condutas e das ideias que exprimem são inerentemente feministas.

Mesmo contando histórias na maioria do tempo ambientadas nos períodos da Regência Inglesa ou quando muito no Período Vitoriano, algumas escritoras contemporâneas imprimem em suas personagens as marcas de nosso tempo criando heroínas que são um ótimo exemplo de “Girl Power “. É claro que esta lista não pretende ser definitiva, e quero muito contar com vocês para acrescentar a sua predileta nos comentários se ela não figurar na lista.

Susanne – Uma noite para se entregar (Tessa Dare)

1191-20150924172219A filha de um nobre que era totalmente relapso com sua pequena comunidade assumiu as responsabilidades que seu pai desprezou e passou a ser a voz que deveria ser ouvida em Spindle Cove. O lugarejo que passou a ser conhecido como Baía das Solteironas tornou-se destino de jovens doentes, excêntricas demais ou maculadas por escândalos que não seriam bem vindas a temporada formal. Susanne se especializou em ervas medicinais após ter sido vítima na juventude de uma série de procedimentos médicos que só a deixaram mais doente, tornando-se imprescindível e muito respeitada. Um dos traços mais marcantes em sua personalidade é desdenhar de um livro de etiquetas para mulheres que ensina as jovens a conseguirem um bom casamento, ela comprou diversos exemplares que são usados para segurar portas ou desfolhados para fazer cartuchos de pólvora. Apesar do cenário dessa comédia de costumes ser um tanto exagerado, o riso fácil que proporciona e a comunidade muito bem descrita nos encantam.

Chase – Nunca julgue uma mulher pela aparência (Sarah McLean)

Nunca Julgue Uma Dama Pela AparênciaApós ser maculada por um escândalo de grandes proporções e engravidar de um cavalariço aos 15 anos, a irmã de um duque vê-se obrigada a assumir uma outra identidade. Como Chase, o misterioso sócio de uma casa de jogos exclusiva, ela detém os segredos de muitos daqueles que a rejeitariam se soubessem sua verdadeira identidade.Quando precisa aparecer em público, ela se veste como uma cortesã e assume a identidade de Anna. Embora Anna seja muito popular, ninguém presta atenção o suficiente para perceber a identidade por trás da maquiagem e das sedas. Com medo de que sua filha, tão independente quanto ela, seja atingida por seu lugar de párea na sociedade, ela decide se casar, mas se desfazer da autonomia da vida que criou para si parece impossível. O fato da identidade de Chase estar tão segura por que ninguém imaginava que aquele poder era possível existir em mãos de uma mulher é uma deliciosa ironia. O herói tentando salvá-la da ruína, acreditando que Anna é a amante do poderoso Chase uma anedota com a ideia de que na época de ouro da aristocracia a única forma de uma mulher exercer um poder real era associada a um homem.

Clio – Diga sim ao Marquês (Tessa Dare)

Diga-sim-ao-marques-1Quando Clio recebe um Castelo como herança, ela percebe que não precisa estar mais a mercê de ninguém.Tudo o que Clio deseja é desfazer o compromisso que assumiu quando era quase uma criança , e viver sem se casar. Seu noivado já durava oito anos, e o nobre com quem estava comprometida não parecia interessado nela, ou em seus planos. Ela pretende revitalizar a propriedade e abrir uma cervejaria, boa administradora, Clio tem tudo o que precisa para colocar seus planos em prática, seu único obstáculo é o irmão de seu noivo que parece obstinado a convencê-la a levar o compromisso adiante. Mesmo apaixonada por Raffe, a primeira coisa que ela lhe oferece é uma sociedade. Ele, notório pelas lutas clandestinas de boxe, poderia dar nome a marca e tratar as vendas com os taverneiros e ela administraria a cervejaria. O que a faz se decidir finalmente entre o noivo nobre e diplomata e o boxeador decadente é a forma como um deles demonstra respeito por suas ideias e seus planos. Não há como ser mais feminista do que isso.

Lydia – O último dos Canalhas (Loretta Chase)

ultimoLydia é uma jornalista e está acostumada a viver em um meio majoritariamente masculino. Ela está constantemente enfrentando perigos, porém não precisa de um salvador. Mesmo quando aceita a ajuda de Vere, ela deixa claro que não precisa ser salva e está sempre desprezando os esforços do herói que tenta protegê-la. Realizada em sua profissão, ela não aceita se casar após uma noite de amor, pois não quer que nenhum enlace seja realizado com base apenas em Vere demonstrando honrar seu código de honra. Lydia é extremamente compassiva, e acolhe sob sua proteção diversas outras mulheres em situação de risco, formando uma nova família, demonstrando de forma prática o conceito da sororidade. Fiquei torcendo durante todo o livro para que Lydia não cede-se as investidas de Vere, um sujeito incompetente e pouco digno. Apesar do casamento parecer ser o fim inevitável desses romances, a forma como Lydia deixa claro que pode viver sozinha, inclusive proporcionando abrigo e proteção uma série de mulheres como ela nos deixa em parte satisfeitos.

Samantha  – The Escape (Mary Balogh)

imagesTalvez a minha predileta nesta lista. Após cuidar do marido, um oficial que padeceu após anos de convalescença ao ser ferido na guerra, Samantha acredita que poderá viver feliz em sua comunidade como uma viúva para o resto de sua vida. Mas quando a família do marido percebe que não consegue controlá-la e lhe tiram o lar, ela prefere cair na estrada ao invés de viver sobre o jugo do sogro puritano. Mesmo quando o Tenente Ben Harper, um amigo por quem sente atração, oferece para se casar com Samantha, ela declina e prefere viajar até Gales onde herdou um pequeno Chalé. O espírito livre de Samantha rejeita a ideia de um novo casamento e quando Ben lhe pergunta de que forma devem lidar com as semanas de viagem sozinhos, ela é direta: podemos nos tornar amantes ou apenas seguir viagem como dois amigos.Amo a forma como Samantha não tem nenhuma dificuldade em assumir a atração que sente por Ben, ou a forma como está sempre demonstrando o quanto gosta de seus encontros sexuais. Durante toda a construção do romance é Samantha quem toma a iniciativa, um refresco após tantas virgens passivas que permeiam este tipo de literatura.

Minerva – Uma semana para se perder (Tessa Dare)

1Minerva é uma cientista que tem um interesse especial por geologia. Desde que foi trazida pela mãe a Splind Cove, deleitou-se em explorar  o ambiente e esteve concentrada demais em seus livros e em suas experiências para se preocupar com a milícia que foi formada na região. Tida como indesejável, e oprimida pela mãe, Minerva não imaginava para si o futuro de outras mulheres, culminando com o casamento e filhos. Quando desaparece como o notório libertino Colin Sandhurst, todos imaginam que eles estão fugindo para a Escócia para se casar, porém é um congresso de geologia onde ela espera apresentar sua mais nova descoberta que é seu destino almejado. É envolvida pela série de vigarices de Colin, e está sempre sendo a voz da razão durante toda a aventura deles, contradizendo o senso comum de que as mulheres são sempre as primeiras a se deixar levar pelos sentimentos.Meu momento favorito, quando eu finalmente chamei Minerva de “minha garota” é quando para proteger a irmã dos avanços de um libertino, ela o desafia para um duelo, e o mesmo em uma atitude inesperada é obrigado a admitir que por mais que o orgulho lhe doa, além de não querer bater-se com uma mulher, ela ainda atira bem melhor do que ele.

Freydja –  Ligeiramente Escandalosos (Mary Balogh)

download (1)Me apaixonei pela mais velha das irmãs Bedwyn mesmo quando ela foi apresentada como personagem secundária em livros anteriores ao que ela protagoniza. O primeiro motivo que a diferencia de outras heroínas em livros do gênero é que ela não é bonita, reconhece o fato, e em uma reflexão nos diz que nenhuma mulher devia se sentir obrigada a ser bela. Ainda assim, o fato de muitos se interessarem pela posição social, já que ela é irmã do Duque de Bewcastle faz com que ela seja tratada como a bela da noite muitas vezes. Com uma língua afiada e um temperamento irascível, Freydja nunca aceitou ser separada de seus irmãos mais velhos e por isso ao contrário de outras garotas, pode dividir as mesmas brincadeiras que os irmãos. Ela cavalga, atira e briga tão bem quanto qualquer um deles. Apesar dos ares orgulhosos de aristocrata, está sempre ajudando outras mulheres, inclusive suas cunhadas, que foram escolhas não adequadas para o casamento de seus irmãos de sangue nobre. Outro acerto de Mary Balogh com a personagem é fazê-la hábil em atividades masculinas, de temperamento forte e personalidade marcante, com uma aparência longe da ideal e ainda assim deixar muito claro que Freydja é extremamente feminina. Expansiva, não lhe faltam cenas em que demonstra carinho abertamente, dá gritinhos, é maternal e tem outros comportamentos lidos como tipicamente femininos, destruindo qualquer chance de cair no clichê de que uma mulher forte deve se tornar um homem de saias.

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