Uma semana para se perder- Tessa Dare

1por Mariana Guarilha 

A primeira vista Miranda Highwood e Colin Sandhurst não poderiam ser um par mais incomum. Ela, uma jovem intelectual, com interesses por geologia e arqueologia. Ele um nobre órfão em que as características que se destacavam não eram nada lisonjeiras, sendo conhecido basicamente pelas muitas mulheres que passaram em sua cama e pelos acidentes que pareciam persegui-lo.

Impulsionada pela preocupação de que Colin propusesse casamento a sua irmã Diana pensando apenas em resgatar o controle de seus bens, Miranda foi até ele em uma noite com uma proposta inusitada: queria sua companhia para viajar a Escócia para um congresso de Geologia onde ganharia e entregaria o prêmio de 500 guinéus em troca da promessa de que ele nunca levaria sua irmã para um casamento infeliz. Embora parecesse uma ideia maluca, Colin se vê cada vez mais envolvido nos planos da jovem cientista.

No volume anterior da Série Spindle Cove eu me percebi mais interessada no cenário da Bahia governada por mulheres do que no destino dos personagens. Nesse segundo volume, devido a deixarem o cenário original para trás, isso não foi um problema. Embora eu aguardasse com ansiedade pelos capítulos que se passassem na Bahia das Solteironas.

Confesso que Colin é um dos personagens apresentados no primeiro volume com quem eu menos simpatizava, estava cansada demais dos libertinos atormentados para me interessar por ele, além disso, por estar sempre sobre o jugo de Bram no primeiro livro, eu o enxergava de forma infantilizada. Já Minerva, foi uma de minhas preferidas, a jovem tímida que escondia seu rosto sob um livro quase o tempo inteiro, mas não temeu desafiar um nobre ao duelo para defender a irmã sempre me encantou, e estivesse torcendo pelo seu final feliz, embora torcesse muito o nariz para a combinação Miranda e Colin. Porém, a hábil Tessa Dare me desarmou já nos primeiros capítulos do livro, com uma prosa leve e um humor afiado do qual já tivemos amostras no primeiro volume, mas que chega a um novo nível em Uma Noite para se Perder.

Outra grata surpresa foi as reflexões muito assertivas sobre o papel de homens e mulheres na sociedade. Apesar de se referirem ao contexto da história, trazem reflexões para a vida do leitor, o que na minha opinião é marca da boa literatura. Em um dos meus momentos favoritos, Miranda reflete:

“Ela fingiu dormir enquanto Colin se movia pelo quarto tirando os sapatos, pondo de lado o relógio e as abotoaduras. Atiçando o fogo e fazendo todo o tipo de barulhos sem se incomodar. Os homens nunca hesitam em declarar sua presença. A eles é permitido viver ruidosamente entre batidas e estalos, enquanto as mulheres são sempre ensinadas a viver em sussurros abafados.”

Considero este volume muito superior ao primeiro Uma noite para se entregar, e aconselho a quem não se envolveu tanto com a Série Spindle Cove em seu primeiro volume dê mais uma chance a história daquele lugar tão único.

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